29 de junho de 2009

A brasilia 77

Sidiomar é um empresário bem sucedido. Ele tem um New Civic LXS 2008 Automático. Carro que ele usa durante a semana, quando vai jantar fora com a esposa e para viajar. Ele abastece o carro sempre no mesmo posto e o frentista o recepciona da seguinte forma:

- Bom dia Doutor.
Vai completar?
Quer que dê uma lavadinha no pára-brisa?
Quer ver o nível de água e óleo?
Vai pagar de que forma?

Quando chega o final de semana, Sidiomar deixa seu carro guardado na garagem e tira o carro de passeio. Uma Brasília 77 na cor abobora super conservada. Ele sempre gostou de carros antigos. É uma paixão que sempre teve. E essa Brasília é bem mais cuidada que seu Civic.


Como de praxe vai abastecer a Brasília no mesmo posto. O frentista que é desligado que só vendo, não reconhece Sidiomar e o recepciona da seguinte forma:

- VAI QUANTO AÍ?
Ó, NÓS NÃO ACEITAMOS CHEQUE.

Guilherme Palma

17 de junho de 2009

Green Day - Colapso do Século 21

Conforme tinha prometido no post anterior, vou detalhar o novo disco do Green Day faixa a faixa. Vamos acompanhar um pouco da saga do casal Christian e Gloria sobrevivendo ao “Colapso do século 21”. Ele é divido em três atos. Heroes and Cons, Charlatans and Saints e Horseshoes and Handgrenades.

Song of century
Apenas uma introdução. Voz cantada em rádio AM com estática.

Aqui começa o primeiro ato. Heroes and Cons.
21st Century Breakdown
Boa canção para abrir o disco. Começa suave com batidas no violão e solinho com bateria crescente. Entram as guitarras, daí segue a linha de Jesus of Suburbia. Acelera no meio lembrando I don’t care e no fim fica lenta no ritmo de estádio e agradavelmente recordamos de Queen. Billie Joe canta clamando a América para sonhar e gritar por dias melhores.

Know Your Enemy
Excelente música. Ritmo cadenciado com pegada e letra forte, “Violência é energia contra seu inimigo”. Faz o estilo Holiday e tem um solo cativante.

Viva La Gloria!
Introdução do 1º personagem, Gloria. Começa com piano e quando Billie Joe canta me vem na cabeça Born to Run do Bruce Springsteen. Depois explodem guitarras e bateria. Hardcore típico do Green Day. Tem cara de Letterbomb.

Before the Lobotomy
Uma referência ao governo Bush. Christian sofre uma lavagem cerebral após oito anos de governo. Alterna com guitarras pesadas e guitarras sem distorção. O refrão como todas do disco é a cara do Green Day. Convida a cantar junto.

Christian’s Inferno
Aqui é a música que introduz por inteiro o 2º personagem. Começa com voz, baixo e bateria eletrônica. Quem esta mais atento aos trabalhos paralelos do Green Day vai reconhecer na hora a banda The Network. O refrão vem com guitarras e baterias aceleradas. Inconfundível.

Last Night on Earth
Aqui destoa um pouco. Nada contra a canção em si, que é uma bela balada, muito bem cantada e executada. E veio no momento certo para dar um ar de introspecção. O porem, é que lembra demais os Beatles. Parece que estou ouvindo John Lennon, pura e simplesmente. Nada de original.


Começa o segundo ato. Charlatans and Saints
East Jesus Nowhere
Musica boa. Ritmos quebrados, guitarras pesadas e gritos de Hey. Quem conhece Queens of Stone Age vai fazer a associação imediata. A letra fala de religião. “Jesus a leste de lugar nenhum”. A fé esta perdida em um mundo de terrorismo. E muito mais para o personagem Christian, que como o nome já diz é cristão.

Peacemaker
Na hora nos lembramos de Misery do álbum Warning, nessa canção com violão acelerado num ritmo quase Mariachi. Tem um toque de humor que talvez fuja um pouco do conteúdo do disco, mas é bom para dar uma abranda no caos que os personagens vivem.

Last of the American Girls
Provavelmente a mais pop do disco. Começa com baixo, bateria e voz. Lembra Uptigh do álbum Nimrod. Depois que entra guitarras vem o estilo Power pop que definiu a banda Weezer. O Green Day já tinha flertado com esses ritmos em Extraordinary Girl e She’s a Rebel. O resultado em todas elas ficou ótimo.

Murder City
Sem muito a dizer. Hardcore típico do Green Day com três acordes. Boa de cantar, refrão que fica na cabeça. Letra forte também que fala sobre perseverar. “Desesperado, mas não sem esperança”.

?Viva La Gloria? (Little Girl)
Muito criativa. Começa com piano e depois voz, parecendo musica de cabaré. E quando entram guitarra e bateria nos remete a Blood, Sex and Booze do álbum Warning.

Restless Heart Syndrome
Para encerrar o segundo ato, mais uma balada. Muito bonita, mas... Lembra demais Boulevard of Broken Dreams, do disco anterior. Igual no violão, estilo de cantar, marcação de tempo, nas batidas e solos de guitarras também. Podiam tentar fazer uma balada diferente.

Começa o 3º e melhor ato do disco. Horseshoes and Handgrenades. É de tirar o fôlego.
Horseshoes and Handgrenades
Mais uma bordoada. Hardcore dos bons. Já chega gritando “I'm not fucking around”, ou seja, não esta para brincadeira. Referencia aos conservadores americanos – leia-se Bush novamente. “Ferraduras (caipiras) e granadas de mão (política de guerra)”

The Static Age
Para mim a mais empolgante do disco. Acho que todo mundo na hora vai reconhecer o estilo. Ficaria bem à vontade nos primeiros discos da banda. Deliciosamente boa para cantar. Refrão gruda na cabeça e tem um riff de guitarra muito bom, que permeia a canção inteira.

21 Guns
A hora que começa essa balada parece que vai ficar na mesmice, mas na quando entram as guitarras tem-se uma agradável surpresa. Estilo Radiohead. Billie Joe cantando com falsetes que lembram Tom Yorke e as guitarras pausadas e fortes. Acredito que Billie nunca cantou tão bem. Os back’in vocais de Mike Dirnt e Jason White são suaves criando um equilíbrio com as guitarras pesadas que soa muito bem. Na minha opinião essa musica é a mais bonita que a banda já fez.

American Eulogy
Dividida em duas partes. Introdução igual ao começo do disco. Voz cantada em rádio AM com estática daí vem:
A - Mass Hysteria
Mais uma de estilo inconfundível do Green Day. Acelerada e marcante. Muito boa. Lembra o Green Day de antigamente. No final fica lenta para a platéia cantar junto no estádio e emenda com...
B - Modern World
Segunda parte. Também muito boa com eles gritando que não querem viver em um mundo moderno. Apesar de Mike Dirnt cantar uma parte que lembra muito Joe Strummer do Clash, não chega a comprometer a música.

See The Light
Perfeita para fechar o album e uma das melhores para cantar junto. Encerra o pacote com um fio de esperança. “Vendo a luz”. Ou seja, Bush é passado. Começa com o mesmo violão de 21st Century Breakdown e depois que entra guitarra bateria e voz fica caracterizado o estilo de Jesus of Suburbia. E o álbum encerra suave do mesmo jeito que começou. Batidas no violão.

Veredicto:
Nota 09.
Reforçando que não sou perito musical, toco um violão e guitarra muito porcamente. Por isso, correções são bem vindas. Inclusive em traduções e interpretações.

Guilherme Palma

12 de junho de 2009

Green Day - 21st Century Breakdown

Passado o ‘oba-oba’ inicial do lançamento do mais novo CD do Green Day decidi escrever sobre ele. Depois de ler várias resenhas, algumas feitas de forma precipitada devido à euforia do lançamento ou de críticos que nunca gostaram da banda eu fui tomando nota. Eu ouvi, ouvi de novo e ouvi mais algumas vezes o disco para fazer uma analise imparcial, na medida do possível. Eu não sou crítico musical e nenhum especialista, então ‘teje’ avisado.

Em primeiro lugar vou deixar bem claro que não vou entrar no mérito deles serem punks, porque todos sabem o que é ser punk e o estilo de vida deles já diz tudo. Não importa que já tenham sido um dia, o Green Day é uma banda de rock e toca rock. Esta na hora de esquecer Dookie também. Eu sei que é um baita disco, eu escuto até hoje de vez em quando, do mesmo jeito que escuto Ramones, Sex Pistols e Cia. Mas tenho que valorizar musica nova de qualidade, que hoje em dia é uma coisa rara.

A banda mudou, claro todo mundo sabia desde seu antecessor American Idiot, lançado em 2004. Mas agora eles se firmaram como músicos. E não apenas moleques se divertindo tocando canções simples. Hoje é uma das maiores bandas da atualidade. Podem chiar os detratores, reclamar e falar o que quiserem. Ninguém grava uma parceria com o U2 a toa.

Nota-se uma forte influencia inglesa no trabalho deles. The Who, Queen, The Clash, The Beatles, Radiohead e os irlandeses do U2. Do lado americano vamos encontrar Weezer, Queens of Stone Age e até Bruce Springsteen. Ainda estão lá as primeiras referencias da banda que eram Hüsker Dü e Replacements . Mas bem discretas. O estilo musical remete muito mais a Nimrod, Warning e American Idiot, do que os primeiros discos.

Eles condensaram tudo isso com o som deles criando um trabalho com identidade própria. Bem diferente da maioria das bandas atuais que simplesmente fazem um estilo retro sem acrescentar nada de novo. É bonito, legal, divertido, mas não inovam, não ousam. Entre escutar Franz Ferdinand, Artic Monkeys e White Stripes eu prefiro Television, The Clash, The Sonics, entre outras.

Influencias e preferências a parte, vamos falar do disco. O Green Day conseguiu incrivelmente mesclar belas baladas, canções com guitarras pesadas, Power pop, e hardcore. O resultado final ficou excelente. Ficou tudo muito coeso, musicas ligadas entre si e a intercalação entre as aceleradas e lentas é um ponto forte. O disco é melhor que o antecessor American Idiot. Eles estão muito mais seguros.

Tem mais solos e riffs de guitarra que nos trabalhos anteriores. As linhas de baixo de Mike Dirnt continuam ótimas e acredito que Tre Cool esta cada vez melhor na bateria. Se não me engano ele foi eleito o 98º melhor baterista do mundo. Billie Joe é um grande guitarrista e hoje acredito que ele atingiu o equilíbrio de sua voz. Ele canta sem forçar ou fazer força. Consegue explorar tons mais altos. E alterna muito bem entre graves e agudos. Hoje se pode dizer que é um cantor e não um vocalista apenas. Não é nenhum Bruce Springsteen, mas é competente e eficaz.

A segunda guitarra de Jason White soa bem, com solos e riffs que ficam na cabeça. No disco tem momentos ótimos de piano, bem inseridos no contexto e outros instrumentos como violino e violoncelo. Tudo muito bem arranjado e produzido. A harmonia vocal da banda é muito boa. A segunda voz e back’in vocals estão mais elaboradas e variadas do que em American Idiot. Em alguns momentos assemelha-se a Beatles em outros atingem a suavidade dos Beach Boys.

No quesito letras também ouve uma evolução. O álbum conta a história do casal Christian e Gloria numa fuga alucinada tentando sobreviver a uma America pós-Bush. São letras fortes que falam até de religião. Só que para o ouvinte que quiser traduzir as letras já aviso; não é tudo tão claro como American Idiot. É necessária uma interpretação.

Eles atingiram um patamar difícil de chegar e que lhes garante mais tranqüilidade para o futuro. Hoje eles conservam fãs da época Dookie, arrebataram alguns que criticavam e o principal; conquistaram a molecada de 16 anos. Para uma banda que esta quase entrando nos 40 anos de idade é um triunfo. No futuro, e eles tem um futuro, podem tomar qualquer direção, trabalhando com uma variedade enorme de estilos.

Nos próximos trabalhos talvez eles devam voltar a colocar um pouco mais de humor nas músicas, que já foi a marca registrada da banda, pois essa história de política vindo deles não engulo muito. Apesar de eles terem acertado em cheio nesses dois últimos álbuns, no futuro pode soar meio piegas e cansativo. O próprio U2 já se desgastou um pouco com isso.

Minha nota para o CD é NOVE. Perai, elogiar tanto para dar nota nove? Eu explico. O ultimo que considerei 10 foi Mellon Collie And The Infinite Sadness do Smashing Pumpkins, lançado em 1995 para se ter uma idéia. O disco tem que ser irretocável perfeito nos mínimos detalhes. Fanatismo não pode ser um critério para qualificar. No próximo post vou esmiuçar o álbum faixa a faixa e aí vais entender o porquê desta nota.

Outra coisa; quer baixar o disco, baixe. Onde achar melhor, mas apenas para conhecimento. Depois compre o CD. Compre por valer a pena. Compre para incentivar uma banda que ainda tem criatividade para fazer discos excelentes. Compre porque vai marcar essa década. No começo pode parecer um pouco com American Idiot, mas depois de mais algumas audições começa a soar mais natural e terá uma noção da grandiosidade que é 21st Century Breakdown.

Se você acabou de chegar no planeta e ainda não ouviu nada do disco, aqui tem o 1º single. Know Your Enemy.

Guilherme Palma