12 de junho de 2009

Green Day - 21st Century Breakdown

Passado o ‘oba-oba’ inicial do lançamento do mais novo CD do Green Day decidi escrever sobre ele. Depois de ler várias resenhas, algumas feitas de forma precipitada devido à euforia do lançamento ou de críticos que nunca gostaram da banda eu fui tomando nota. Eu ouvi, ouvi de novo e ouvi mais algumas vezes o disco para fazer uma analise imparcial, na medida do possível. Eu não sou crítico musical e nenhum especialista, então ‘teje’ avisado.

Em primeiro lugar vou deixar bem claro que não vou entrar no mérito deles serem punks, porque todos sabem o que é ser punk e o estilo de vida deles já diz tudo. Não importa que já tenham sido um dia, o Green Day é uma banda de rock e toca rock. Esta na hora de esquecer Dookie também. Eu sei que é um baita disco, eu escuto até hoje de vez em quando, do mesmo jeito que escuto Ramones, Sex Pistols e Cia. Mas tenho que valorizar musica nova de qualidade, que hoje em dia é uma coisa rara.

A banda mudou, claro todo mundo sabia desde seu antecessor American Idiot, lançado em 2004. Mas agora eles se firmaram como músicos. E não apenas moleques se divertindo tocando canções simples. Hoje é uma das maiores bandas da atualidade. Podem chiar os detratores, reclamar e falar o que quiserem. Ninguém grava uma parceria com o U2 a toa.

Nota-se uma forte influencia inglesa no trabalho deles. The Who, Queen, The Clash, The Beatles, Radiohead e os irlandeses do U2. Do lado americano vamos encontrar Weezer, Queens of Stone Age e até Bruce Springsteen. Ainda estão lá as primeiras referencias da banda que eram Hüsker Dü e Replacements . Mas bem discretas. O estilo musical remete muito mais a Nimrod, Warning e American Idiot, do que os primeiros discos.

Eles condensaram tudo isso com o som deles criando um trabalho com identidade própria. Bem diferente da maioria das bandas atuais que simplesmente fazem um estilo retro sem acrescentar nada de novo. É bonito, legal, divertido, mas não inovam, não ousam. Entre escutar Franz Ferdinand, Artic Monkeys e White Stripes eu prefiro Television, The Clash, The Sonics, entre outras.

Influencias e preferências a parte, vamos falar do disco. O Green Day conseguiu incrivelmente mesclar belas baladas, canções com guitarras pesadas, Power pop, e hardcore. O resultado final ficou excelente. Ficou tudo muito coeso, musicas ligadas entre si e a intercalação entre as aceleradas e lentas é um ponto forte. O disco é melhor que o antecessor American Idiot. Eles estão muito mais seguros.

Tem mais solos e riffs de guitarra que nos trabalhos anteriores. As linhas de baixo de Mike Dirnt continuam ótimas e acredito que Tre Cool esta cada vez melhor na bateria. Se não me engano ele foi eleito o 98º melhor baterista do mundo. Billie Joe é um grande guitarrista e hoje acredito que ele atingiu o equilíbrio de sua voz. Ele canta sem forçar ou fazer força. Consegue explorar tons mais altos. E alterna muito bem entre graves e agudos. Hoje se pode dizer que é um cantor e não um vocalista apenas. Não é nenhum Bruce Springsteen, mas é competente e eficaz.

A segunda guitarra de Jason White soa bem, com solos e riffs que ficam na cabeça. No disco tem momentos ótimos de piano, bem inseridos no contexto e outros instrumentos como violino e violoncelo. Tudo muito bem arranjado e produzido. A harmonia vocal da banda é muito boa. A segunda voz e back’in vocals estão mais elaboradas e variadas do que em American Idiot. Em alguns momentos assemelha-se a Beatles em outros atingem a suavidade dos Beach Boys.

No quesito letras também ouve uma evolução. O álbum conta a história do casal Christian e Gloria numa fuga alucinada tentando sobreviver a uma America pós-Bush. São letras fortes que falam até de religião. Só que para o ouvinte que quiser traduzir as letras já aviso; não é tudo tão claro como American Idiot. É necessária uma interpretação.

Eles atingiram um patamar difícil de chegar e que lhes garante mais tranqüilidade para o futuro. Hoje eles conservam fãs da época Dookie, arrebataram alguns que criticavam e o principal; conquistaram a molecada de 16 anos. Para uma banda que esta quase entrando nos 40 anos de idade é um triunfo. No futuro, e eles tem um futuro, podem tomar qualquer direção, trabalhando com uma variedade enorme de estilos.

Nos próximos trabalhos talvez eles devam voltar a colocar um pouco mais de humor nas músicas, que já foi a marca registrada da banda, pois essa história de política vindo deles não engulo muito. Apesar de eles terem acertado em cheio nesses dois últimos álbuns, no futuro pode soar meio piegas e cansativo. O próprio U2 já se desgastou um pouco com isso.

Minha nota para o CD é NOVE. Perai, elogiar tanto para dar nota nove? Eu explico. O ultimo que considerei 10 foi Mellon Collie And The Infinite Sadness do Smashing Pumpkins, lançado em 1995 para se ter uma idéia. O disco tem que ser irretocável perfeito nos mínimos detalhes. Fanatismo não pode ser um critério para qualificar. No próximo post vou esmiuçar o álbum faixa a faixa e aí vais entender o porquê desta nota.

Outra coisa; quer baixar o disco, baixe. Onde achar melhor, mas apenas para conhecimento. Depois compre o CD. Compre por valer a pena. Compre para incentivar uma banda que ainda tem criatividade para fazer discos excelentes. Compre porque vai marcar essa década. No começo pode parecer um pouco com American Idiot, mas depois de mais algumas audições começa a soar mais natural e terá uma noção da grandiosidade que é 21st Century Breakdown.

Se você acabou de chegar no planeta e ainda não ouviu nada do disco, aqui tem o 1º single. Know Your Enemy.

Guilherme Palma

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