2 de setembro de 2010

No Supermercado

Ontem fui ao mercado dar uma reabastecida na despensa. Era umas 21h30 e estava bem vazio. Encaminhava-me para a seção de conserva quando senti uma brisa vinda de lá. A brisa era uma mulher. Aparentava uns 35 anos.

Devia ter um metro e oitenta de altura sem contar o salto Anabela. Apesar do tamanho dela, os pés eram delicados. Tinha uma pulseira dourada no tornozelo esquerdo que destacava ainda mais suas pernas bem torneadas. Estava com um vestido florido esvoaçante. Suas costas, em grande parte à mostra. Sua tez não tinha uma mancha sequer e aparentava ser de uma maciez semelhante à de um recém-nascido.

Seus cabelos eram loiros e curtos. O rosto tinha um quê de Nicole Kidman misturado com Meg Ryan. Olhei em volta, estávamos sós no corredor. Eu, ela e o João Guilherme. Este, em seu carrinho, ficou petrificado sem conseguir tirar o olho dela e de boca aberta. Pus uma chupeta e caminhei em direção a ela.

Quando me aproximei percebi que mordia o lábio inferior, em duvida se comprava champignon ou aspargos. Ela notou minha aproximação e abriu um sorriso que ofuscou minha visão.

- Que fofo ela disse.

Estava se referindo ao João Guilherme, é claro. E continuou.

- Que neném mais lindo. Olha só que gracinha, esta rindo para mim.

Também pudera.

- Nossa, é a cara do pai. Parabéns, o seu filho é muito lindo.

- Obrigado.


É só o que saiu de minha boca. Ela se virou e continuou seus afazeres mercadológicos. Mas eu tive que falar com ela. O corredor estava vazio. Ninguém mais poderia me ajudar.

- Moça?

Ela se virou com um sorriso ainda mais implacável que o anterior.

- Sim?

- Será que você pode me alcançar o pote de alcaparras?

Guilherme Palma

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