15 de junho de 2016

Tite é uma medida para as consequências e não para a causa do problema



Tite ainda não assinou com a CBF para ser o treinador da seleção brasileira. Mas acredito que é questão de tempo. A parte financeira não é problema para o técnico. Mesmo o salário sendo menor que recebe do Corinthians ainda é um valor justo. O que vale nesse cargo é o prestígio, currículo, reconhecimento e, ainda que soe meio piegas, um vago senso de patriotismo. O que impediu ainda de firmarem acordo consiste no fato de que ele quer carta branca para comandar. Quer montar sua equipe técnica com pessoas de sua confiança. Não é do feitio da CBF ceder, no entanto são tempos negros para a entidade e ela deve ceder em tudo, ou quase tudo.

Eu acredito que Tite seja o nome certo para o cargo. É dos mais inteligentes, capaz de ler o jogo como poucos. Estuda e atualiza-se constantemente. Sabe se comunicar com jogadores e com a imprensa.  Aproveita o potencial de jogadores e recupera o futebol daqueles que estão apagados. Cito como exemplo Jadson e Renato Augusto. E não teme sacrificar uma peça que não esta bem, não importando o prestígio como foi o caso do goleiro Cássio, idolatrado pela fiel torcida corintiana, mas que em má fase foi para o banco de reservas.

A CBF sabe do clamor popular por Tite e vai atender. Vai atender por que em tempos de combate a corrupção ela precisa desviar o foco do lamaçal que é a entidade. Vai atender por que vem de uma sucessão de erros. O primeiro foi colocar Dunga como treinador, sem experiência do comando da seleção em 2006 (ainda que tenha feito um trabalho razoável). Colocar o Mano Menezes como técnico em 2010, que apesar de ser um bom técnico carecia de mais bagagem. Errou mais ainda tirando o Mano quando enfim começava a esboçar uma seleção competitiva para colocar Felipão que estava em péssima fase. Sim, técnico é igual jogador, tem fases e momentos.

E para sacramentar a sucessão de erros colocou novamente o Dunga no comando, que a despeito de sua popularidade baixíssima, trouxe a tira colo Gilmar Ranaldi como chefe de seleções. Gilmar como todo mundo sabe é empresário e agenciador de jogadores. Em conluio com a Nike e a CBF, Gilmar e Dunga escalavam jogadores com o intuito de promoverem suas vendas.

Não é colocando um técnico bom que tem apoio popular que o problema será resolvido. É uma medida apenas para apagar o fogo. A CBF já fez algo parecido no passado. “Chamou Felipão para as eliminatórias de 2002 que tinha fama de disciplinador e “raçudo” com a equipe técnica que escolheu. Deu certo. Classificou o Brasil para a Copa e ainda levou a taça. 

O que poucos sabem é que a poucos dias da competição Ricardo Teixeira, ainda à frente da entidade, chegou para Felipão e mandou-o convocar Romário. Felipão peitou o mandatário e falou que se ele não pudesse levar quem quisesse ele sairia. Faltando pouco tempo para a competição Teixeira não quis correr riscos e aceitou o ultimato de Felipão. Depois disso a entidade só escolheu técnicos baratos e obedientes. Deu no que deu. Ela manda e desmanda nas escalações, é favorecida com a venda de jogadores e por aí vai.

Mesmo que Tite comande do jeito que bem entender, seja bem sucedido, talvez até com o título mundial na Copa de 2018 na Rússia, o que vier depois vai ser mais do mesmo. O problema não esta no técnico e sim na CBF.

Guilherme Palma

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui sua opinião. Critique, comente a vontade. Comentários com palavrões serão excluídos.