25 de agosto de 2010

Classes, Comida e Entretenimento

Eu me lembro de ouvir música no trabalho. Musica e risadas. Todos eram contentes com seus afazeres. Havia confraternizações de final de ano, churrascos entre famílias, festa junina, cerveja no final do expediente. Não faz muito tempo. Pouco mais de duas décadas, mas parece ter sido bem mais.

É Eram bons tempos. Daí veio àquele cara fazendo um discurso inflamado. Falando de injustiças sociais e exploração. Que eles não podiam aceitar isso, não podiam aceitar aquilo. Os funcionários olhavam uns para os outros e se perguntavam:

É verdade isso?
Nós temos direitos?
Claro que temos. Vamos aproveitar.
Vamos fazer uma greve então.

Teve a greve. Veio o sindicato e o fechamento de varias empresas. Empregadores foram à falência. De repente patrões viraram inimigos. O cara que trabalhava rindo ao seu lado, que há poucas semanas ia à sua casa, conversava com sua esposa, pegava seu filho no colo, começou a falar mal pelas suas costas.

Jogaram cada vez mais a classe baixa contra a média, que é achacada por impostos e ações trabalhistas, muitas vezes descabidas. Antes o patrão, o empresário era o cara que pagava seu salário e às vezes um grande amigo. Hoje ele é arrogante, esnobe. Quer que o funcionário sofra desde que ele ganhe o seu lucro. Alguns talvez, mas nem todos. Isso era coisa do passado.

E o cara que fazia os tais discursos? O tempo passou e ele conseguiu o prestigio que precisava e se elegeu para o cargo político que queria. Hoje ele é poderoso e tem dinheiro. O que ele faz?

Absolutamente nada. Ele não esta na classe média e nem na baixa. Vive acima, como aqueles romanos da Idade Média no Coliseu assistindo a ralé se matando na arena. Até restar somente a classe alta para reinar absoluta e usar a política do pão e circo para não haver questionamento.

Quanto mais o mundo muda, mais ele continua o mesmo. A história é um ciclo continuo. E o circo já esta armado.

Guilherme Palma

Panis et Circenses - Os Mutantes (musica de Caetano Veloso & Gilberto Gil)


17 de agosto de 2010

Hey Jude

Não é questão de gostar ou não, porque gosto é gosto e isso não se discute. Agora negar a importância que os Beatles tiveram no século XX esta fora de cogitação. Vai além das fronteiras do rock, foi uma revolução cultural em todos os sentidos, desde moda até comportamento.

Eles foram os vanguardistas do movimento hippie e psicodélico, iniciaram a música progressiva, deram os primeiros passos para o heavy metal, indicaram como seria o rock nos anos 70. Ao lado de Bob Dylan elevaram o rock a status de gente grande e não apenas entretenimento juvenil. Expressavam muito bem o pensamento de uma geração inteira.

No dia 30 de abril de 2009, na Trafalgar Square em Londres, uma marca de telefonia convidou pessoas para comparecer no local, sem revelar o que aconteceria de fato. Todo mundo imaginava algo grandioso. Começaram a distribuir microfones para cantar no maior Karaokê do mundo.


13.500 pessoas das mais variadas etnias, gerações e localidades do mundo cantam juntas Hey Jude. São os Beatles, 39 após o término da banda, unificando o Globo.

Para assistir uma apresentação histórica dos próprios e saber a mais sobre a origem da música CLIQUE AQUI.

Guilherme Palma

- Confesso que fiquei emocionado ao assistir

- Mas não chorei

12 de agosto de 2010

Dia dos pais

Quem leu meu texto "Felicidade" sabe que hoje eu sou pai. Neste texto descrevi todas as sensações que experimentei a partir do momento que segurei o João Guilherme no colo. Desde então, cada dia tem revelado uma surpresa nova. Um sorriso, uma careta diferente, um som novo que ele faz. Até o jeito de chorar vai mudando e eu identifico quando é fome, fralda suja, cólicas, falta de atenção ou quando quer colo.

No começo achava que não era possível sentir um amor maior, mas sempre supero minhas expectativas. No último domingo eu vivenciei meu primeiro dia dos pais. A princípio não esperava que tivesse um significado muito grande, pois meu filho não pode me dar os parabéns ainda. Mas foi emocionante. E ainda coincidiu com o batizado dele.

Depois da celebração o padre chamou todos os pais para subir no altar para cantarmos um “parabéns pra você”. E ao meu lado via pais que já tinham filhos grandes, pais que já eram avós, inclusive pais que já tinham perdido seus filhos. Todos com o mesmo sorriso, a mesma lagrima nos olhos, uma felicidade sem igual, que não se compra.

Um desses pais bem vividos olhou para mim segurando meu filho no colo, me deu um aperto de mão, um sorriso largo no rosto e um sincero parabéns. E então eu percebi que faço parte de um seleto grupo de homens abençoados. O grupo dos pais.

E eu ganhei uma caneta personalizada da paróquia.
Guilherme Palma