É Eram bons tempos. Daí veio àquele cara fazendo um discurso inflamado. Falando de injustiças sociais e exploração. Que eles não podiam aceitar isso, não podiam aceitar aquilo. Os funcionários olhavam uns para os outros e se perguntavam:
É verdade isso?
Nós temos direitos?
Claro que temos. Vamos aproveitar.
Vamos fazer uma greve então.
Teve a greve. Veio o sindicato e o fechamento de varias empresas. Empregadores foram à falência. De repente patrões viraram inimigos. O cara que trabalhava rindo ao seu lado, que há poucas semanas ia à sua casa, conversava com sua esposa, pegava seu filho no colo, começou a falar mal pelas suas costas.
Jogaram cada vez mais a classe baixa contra a média, que é achacada por impostos e ações trabalhistas, muitas vezes descabidas. Antes o patrão, o empresário era o cara que pagava seu salário e às vezes um grande amigo. Hoje ele é arrogante, esnobe. Quer que o funcionário sofra desde que ele ganhe o seu lucro. Alguns talvez, mas nem todos. Isso era coisa do passado.
E o cara que fazia os tais discursos? O tempo passou e ele conseguiu o prestigio que precisava e se elegeu para o cargo político que queria. Hoje ele é poderoso e tem dinheiro. O que ele faz?
Absolutamente nada. Ele não esta na classe média e nem na baixa. Vive acima, como aqueles romanos da Idade Média no Coliseu assistindo a ralé se matando na arena. Até restar somente a classe alta para reinar absoluta e usar a política do pão e circo para não haver questionamento.
Quanto mais o mundo muda, mais ele continua o mesmo. A história é um ciclo continuo. E o circo já esta armado.
Panis et Circenses - Os Mutantes (musica de Caetano Veloso & Gilberto Gil)
